No
Diário Oficial da União, datado de dia 06 de maio de 2011, foi
publicado o estatuto e o programa do Partido Militar, um dos principais
requisitos de exigência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que a
agremiação ganhe status de partido e possa atuar no plano político.
A
agremiação, fundada em 29 de janeiro de 2011, nasce do sonho de um
jovem Ourinhense (município do Estado de São Paulo/SP), militar a
serviço da Polícia Militar do Estado de São Paulo, e hoje Deputado
Federal, Capitão Augusto, idealizador do partido. Projeto este abraçado,
ainda no seu embrião, por José Moura Brasil, Capitão da Aeronáutica,
Secretário Geral Nacional, e Gerson da Silva Paulo, suboficial da
Aeronáutica, fundador e disseminador do projeto no Estado do Rio de
Janeiro.
O
Partido nasce como um instrumento político 100% democrático,
nacionalista, plural e adepto da legenda “Ordem e Progresso”, tendo como
principal bandeira a “Segurança Pública”, sem deixar de lado o
compromisso de luta pela liberdade de expressão e religião, a
observância de valores éticos e morais como honestidade, integridade e
probidade na condução dos negócios públicos, bem como os valores de
família, além do resgate ao civismo e o patriotismo.
O
Partido Militar não é instrumento político das Forças Armadas, quiçá
das Forças Auxiliares, muito embora os seus fundadores sejam militares.
Este não é um partido “do” ou apenas “para o” o militar ou família
militar, porém e sim um grande e inovador projeto político de direita
para toda a sociedade brasileira que clama pela reversão das diretrizes
da política econômica que priorize as necessidades vitais do povo,
especialmente as de alimentação, saúde, segurança, infraestrutura,
família e educação.
O
uso da palavra “militar” na designação da legenda tem por escopo
demonstrar o compromisso de todos os seus membros com princípios e
valores tradicionalmente reverenciados nas instituições castrenses. A
utilização da palavra “militar” na legenda, para ser bem compreendida,
remete-nos ao mergulho filosófico da “Alegoria da Caverna”, cunhada numa
passagem do Livro VII “A República”, de autoria do filósofo grego
Platão, que certamente ajudará a desmistificar o conteúdo crítico
depositado por alguns a palavra “militar” ínsita na legenda.
Essa
tratativa alegórica acontece em uma caverna separada do mundo externo
por um alto muro, cuja entrada permite a passagem da luz exterior. Desde
seu nascimento, geração após geração de seres humanos ali vivem
acorrentados, sem poder mover a cabeça para a entrada, nem locomover-se,
forçados a olhar apenas a parede do fundo, e sem nunca terem visto o
mundo exterior nem a luz do sol. Acima do muro, uma réstia de luz
exterior ilumina o espaço habitado pelos prisioneiros, fazendo com que
as coisas que se passam no mundo exterior sejam projetadas como sombras
nas paredes do fundo da caverna. Por trás do muro, pessoas passam
conversando carregando nos ombros figuras de homens, mulheres, animais
cujas sombras são as próprias coisas externas, e que os artefatos
projetados são os seres vivos que se movem e falam. Como tudo o que os
prisioneiros conhecem são as sombras, eles acham que aquela é toda a
realidade que existe.
Mais
eis que um belo dia um dos prisioneiros consegue se soltar dos grilhões
e galgar os degraus até a fresta de luz, passando pelos objetos ou
coisas que eram projetadas como sombras nas paredes e indo ainda além, à
entrada da caverna. Lá ele encontra o esplendor da luz do dia. Mas o
brilho é tão intenso que seus olhos, acostumados à escuridão, custam a
poder enxergar. Ele então começa por ver seu próprio reflexo na água,
até acostumar a visão para ver as plantas, as pedras, e a partir daí ele
pode encarar o próprio céu, com o sol e as estrelas.
Como
no “Mito de Platão”, criticar a palavra “militar” ínsita na legenda sem
conhecer a sua história e o seu conteúdo filosófico é está acorrentado
no interior de uma caverna penumbrenta conformado com as projeções
falsas ou incompletas, com os vultos criados por nossos incautos
interlocutores. Essa palavra, portanto, deve ser enxergada, mensurada no
plano exterior, livre dos grilhões e das sombras. Nesse sentido, seus
criadores defendem que a palavra “militar” da legenda deve ser vista
como expressão do “senso comum castrense”, ou seja, conjunto de
princípios, valores, história, tradições, hábitos e costumes, conceitos e
expectativas – culturais, religiosas, cívicas, sociais, filosóficas –
milenarmente cultuados pelas instituições militares.
O
Partido Militar tem, portanto, como estreito compromisso a transposição
desse “senso comum castrense” para o plano político numa reação à
anomia social que aflige o Brasil. Anomia essa traduzida pela
inoperância da “máquina pública”, pela deterioração da qualidade de vida
do povo, pelo crescente descrédito nos poderes públicos, pela corrupção
edêmica, pela constatação do abismo existente entre os legisladores e o
povo, pelo aumento da insegurança pública e do aviltamento ético e
moral que aflige o povo brasileiro e ameaça as futuras gerações.
Em
resumo, por todas essas anomias é que o movimento identificado como
Partido Militar se organizou em agremiação político-partidária para
consecução do seu projeto de transformação do Brasil numa sociedade
menos injusta, menos violenta, menos corrupta e demagógica e menos pobre
nos mais variados sentidos (econômico, intelectual, moral, etc.).
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